SUS.Seminário discute o futuro do Sistema Único de Saúde do Brasil

seminarioSUSout2013

A sustentabilidade ideológica, política e financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) foi o tema do Seminário do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (CONASS) debate os Caminhos da Saúde no Brasil, que reuniu em Brasília (25/09) aproximadamente 300 pessoas, entre gestores, autoridades, economistas, sociólogos, jornalistas e sanitaristas.

Na abertura, representantes do Ministério da Saúde, Organização Pan Americana de Saúde, Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Conass e Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) destacaram a importância de debater o SUS como uma política de inclusão social no país, concebida constitucionalmente para ser um sistema público, universal e gratuito. O objetivo do Seminário foi discutir as alternativas para a organização do sistema de saúde no Brasil e a tendência para avançar na cobertura universal em saúde. Para isso foram convidados três expositores e três debatedores, procurando responder a questões centrais como a segmentação do sistema de saúde no Brasil ou a focalização do segmento público aos setores mais pobres da população.

Exposições

O primeiro expositor foi o ex-ministro da Saúde e Diretor Executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, José Gomes Temporão, com o enfoque para a questão “para onde vai o SUS”.

Temporão resgatou o histórico do sistema de saúde brasileiro, com destaque para os avanços e desafios como a sustentabilidade econômica e as transições tecnológicas, do cuidado e cultural. Para ele, o SUS está caminhando para um sistema de “castas”, que estabelece acesso e qualidade diferenciados entre as classes. Ele defendeu ainda o pacto de uma agenda estratégica para o SUS avançar na universalização, como por exemplo, a Estratégia Saúde da Família como única porta de entrada ao sistema, tanto para o setor público quanto para planos e seguros privados. Temporão ressaltou também a importância estratégica do desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde para apoiar as práticas de uma medicina pública e gratuita.

O segundo expositor foi Antônio Jorge Kropf, Diretor de Assuntos Institucionais da Assistência Médica Internacional (Amil), com um enfoque “para onde vai o sistema suplementar”, ponderou que o cenário brasileiro epidemiológico e  demográfico evoluiu de maneira rápida e isso trouxe consequências negativas também para o segmento da saúde suplementar, o que exige mudanças na forma de prestação de serviços na saúde suplementar e sinergia entre as áreas pública e privada.

Por fim, André Cezar Medici, economista de saúde aposentado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e editor do blog Monitor da Saúde abordando a questão “Uma nova via é possível?”.

Medici apresentou uma proposta de ‘competição gerenciada’, implementada em países como Colômbia e Holanda e disse que não existem modelos padrão adaptáveis em todos os contextos, cada país têm a sua singularidade e que o importante é garantir que a pluralidade de sistemas de saúde se estruture de forma complementar e regulada pelo Estado e que não haja fragmentação do acesso, cobertura e financiamento.

Debate técnico:

Os debatedores foram Wim Van Lerberghe do Instituto de Medicina Tropical de Lisboa, Renato Tasca, Assessor de Planejamento e Política em Saúde, do Escritório Central da OPAS/OMS e Gonzalo Vecina Neto, Superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês.

Para o prof. Wim Van Lerberghe o importante é avançar, considerando as duas realidades diferentes que existem, o Sistema Único de Saúde e a Saúde suplementar, tendo sempre em mente, a possibilidade do acesso universal. Outro ponto importante para refletir e debater é sobre o papel do Estado na proteção dos cidadãos contra a exploração financeira da saúde.

Renato Tasca, representando a OPAS no evento, iniciou sua fala contextualizando a agenda regional da OPAS para cobertura universal, que prevê formulação de métricas de avaliação e uma estratégia regional para identificar inovações que contribuem para superar os obstáculos para a cobertura universal. Tasca afirmou que a cobertura universal não está no debate, está dada como uma imagem objetivo e que os países devem somar esforços para alcançá-la. Reforçou que muitos obstáculos ainda têm que ser superados e, no caso específico do sistema de saúde brasileiro, seria avançar na universalização da cobertura da Estratégia Saúde da Família, na mudança do modelo de atenção para acompanhar as transições demográficas e epidemiológicas e aumentar a sinergia entre o setor privado e o setor público, para que otimizem os esforços e possam gerar serviços de qualidade e equitativos.

Gonzalo Vecina diz que são muitos os desafios em torno do SUS. Deve-se evitar o erro da política pobre para pessoas pobres e realizar uma reforma do Estado. Segundo ele a Constituição Federal foi fantástica, mas existe muita ilusão dentro dela, devido ao momento em que foi constituída, repleto de utopias e reflexo do processo de redemocratização da sociedade.

Outro desafio de acordo com Vecina diz respeito ao controle social, recuperar esse instrumento como um aliado para a reconstrução do modelo do SUS, mas evitando os corporativismos.

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Sobre mbagestaodesaude

A Universidade Corporativa Abramge tem como missão contribuir continuamente para a aquisição de novos conhecimentos no setor de saúde suplementar. Realiza há mais de ... anos os MBAs Gestão de Planos de Saúde e o Gestão de Promoção de Saúde e Qualidade de Vida nas Organizações. É o braço educacional da Abramge – Associação Brasileira de Medicina de Grupo, entidade criada em 08 de agosto de 1966 para representar os grupos médicos que se constituíam em empresas, denominadas medicina de grupo, é hoje importante referência no desenvolvimento do sistema privado de saúde no país. Atuando como interlocutora junto às autoridades governamentais, mantém-se como parceira da sociedade na busca e implementação de soluções e de atenções nos cuidados com a saúde da população brasileira. A Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) é uma organização não-governamental, sendo a maior referência nacional na área, que tem como missão principal a promoção da integração e o desenvolvimento de profissionais multidisciplinaresvoltados para a atuação em qualidade de vida, divulgando tendências, provocando discurssões/reflexões e formando opiniões balizadoras de estilo de vida, padrões e ambientes saudáveis. O Centro Universitário São Camilo, tradicional instituição privada de educação superior na área da saúde, é mantida pela União Social Camiliana (USC). Atualmente, com inúmeros cursos de graduação e de pós-graduação, incluindo o mestrado pioneiro em Bioética reconhecido pela Capes, o Centro Universitário São Camilo vem recebendo diversos reconhecimentos externos pela qualidade dos serviços prestados à comunidade como, excelente desempenho no ENADE do Ministério da Educação, categorização de seus cursos da área de saúde como melhores do Brasil pelo Guia do Estudante, Prêmio TOP HOSPITALAR, Prêmio HOSPITAL BEST e a certificação ISO 9001/2000 do Inmetro e da Fundação Vanzolini.
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